O ano de 2025 , que já havia sido turbulento para Ketlen Vieira, ganhou mais um capítulo negativo. Dias depois de ser demitida do UFC mesmo vindo de vitória e de assinar rapidamente com a PFL, a brasileira foi flagrada em exame antidoping após sua superluta contra Cris Cyborg, em agosto, e agora cumpre suspensão de seis meses imposta pelo órgão regulador da liga.
Do UFC à PFL, uma sequência de reveses
A saída de Ketlen do UFC, em maio, já havia surpreendido parte do meio do MMA, já que a judoca manauara deixava a organização em situação esportiva favorável. A resposta veio rápido: a PFL anunciou sua contratação e encaminhou um confronto de peso contra Cristiane Justino, a Cyborg, programado para agosto. A expectativa, no entanto, esbarrou em um problema inesperado na pesagem. Vieira não conseguiu bater o peso estipulado para a categoria peso-pena (66 kg), fazendo com que o cinturão da divisão deixasse de estar em disputa. O revés na balança já havia tirado parte do brilho do evento antes mesmo do primeiro round.
Exame aponta substância proibida
Passados dois meses da derrota para Cyborg, decidida por decisão unânime dos juízes, a situação de Ketlen se agravou. Segundo apuração do site "Sherdog", confirmada por Mike Mazzulli, diretor do Departamento de Regulamentação Atlética da Tribo Mohegan, a brasileira testou positivo para uma substância esteroide proibida pela Agência Mundial Antidoping (WADA). A Tribo Mohegan passou a ser responsável pela fiscalização antidoping da PFL depois do rompimento da liga com a USADA, em 2025.
Mazzulli optou por não revelar publicamente qual substância foi identificada nos exames, mas confirmou a aplicação de uma suspensão de seis meses à atleta. A punição é retroativa à data da luta contra Cyborg, o que significa que Ketlen só estará liberada para voltar a competir em 22 de fevereiro de 2027.
Versão da atleta: tratamento de lesão no joelho
Em contato com o "MMA Fighting", Ketlen confirmou a suspensão de 180 dias e apresentou sua versão dos fatos. Segundo a lutadora, a substância encontrada não teria sido usada com o objetivo de obter vantagem competitiva na luta contra a compatriota. De acordo com seu relato, no período logo após a saída do UFC, sem a obrigação de passar por exames antidoping regulares, ela aproveitou a janela para tratar uma lesão antiga no joelho com um medicamento mais forte que o habitual.
A negociação com a PFL, no entanto, avançou rapidamente, e Vieira afirma ter interrompido o uso do medicamento assim que o acordo com a nova liga foi fechado. Ainda assim, resquícios da substância teriam permanecido em seu organismo e sido detectados no exame feito para o confronto com Cyborg. Para a atleta, a punição relativamente branda - seis meses, e não uma suspensão mais longa - reflete o entendimento da organização de que não houve intenção de burlar as regras antidoping.
O que vem pela frente
Com a suspensão em vigor até fevereiro de 2027, a carreira de Ketlen Vieira na PFL começa de forma conturbada, bem distante do cenário que ela projetava ao deixar o UFC. A judoca da Nova União, que já havia perdido a chance de disputar o cinturão peso-pena da companhia por causa do problema na pesagem, agora precisa reconstruir sua credibilidade dentro e fora do octógono antes de voltar a pensar em desafios de peso no MMA feminino.