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Santos vê dívidas se acumularem e teme novo gancho da Fifa

O Santos vive mais um capítulo de instabilidade financeira fora de campo. O clube conseguiu derrubar três transfer bans nesta semana, mas ainda soma quatro punições ativas impostas pela Fifa e corre o risco de sofrer novas sanções por conta de débitos que envolvem clubes estrangeiros e integrantes de antigas comissões técnicas. O quadro expõe a dimensão do problema que a diretoria santista precisa equacionar em meio à disputa do Campeonato Brasileiro.

Os quatro bans ligados à saída de Caixinha

As punições que seguem valendo têm origem na demissão de Pedro Caixinha e de sua comissão técnica, ocorrida em abril de 2025. As rescisões contratuais do próprio treinador, dos auxiliares Pedro Malta e José Pratas e do preparador de goleiros José Francisco Belman geraram dívidas que, somadas a juros e correções, ultrapassam R$ 15 milhões. Enquanto esses valores não forem quitados, o Santos permanece impedido de registrar novos atletas, uma restrição que tende a pesar diretamente no planejamento para as próximas janelas de transferências.

Pagamento resolve parte do problema

Na terça-feira (13), o clube efetuou um pagamento de aproximadamente R$ 946 mil referente a mecanismos de solidariedade envolvendo o zagueiro João Basso, o meia Benjamín Rollheiser e o atacante Álvaro Barreal. A regularização levou a Fifa a retirar, nesta quarta-feira (14), as três punições associadas a esses casos. O avanço, no entanto, não alcança a situação da antiga comissão técnica, que segue como o principal entrave para o clube no mercado da bola.

Caso Njie e cobranças internacionais ampliam o risco

Outra frente de preocupação envolve o empréstimo do atacante Yusupha Njie, que atuou pelo Santos no segundo semestre de 2024. A Corte Arbitral do Esporte (CAS) manteve a condenação do clube ao pagamento de cerca de R$ 2,2 milhões ao Al-Markhiya, do Catar. Como a decisão foi confirmada em instância superior, o Peixe pode receber uma nova sanção da Fifa caso não quite o valor devido.

A lista de pendências não para por aí. Spartak Moscou e León, do México, acionaram a entidade máxima do futebol para cobrar valores em aberto relacionados às contratações dos zagueiros Alexis Duarte e Adonis Frías. Cada uma dessas cobranças representa um novo foco de risco, já que o não pagamento pode resultar em punições adicionais e aprofundar o isolamento do clube no mercado internacional de transferências.

Perda de pontos não é automática, dizem especialistas

Apesar do cenário desafiador, especialistas consultados pelo ge ponderam que o acúmulo de transfer bans não leva, por si só, à perda de pontos no Campeonato Brasileiro. A Fifa dispõe de mecanismos para aplicar sanções mais severas em casos de descumprimento reiterado de suas decisões, mas a tendência observada em outros casos é a de que medidas dessa magnitude demorem a se concretizar.

No caso do Santos, a avaliação é a de que esse risco poderia se tornar mais real a partir de 2028, caso as dívidas permaneçam em aberto e o clube continue descumprindo as determinações da entidade. Até lá, o desafio imediato da diretoria é equilibrar as contas para evitar que a lista de punições volte a crescer e comprometa ainda mais a montagem do elenco.